sexta-feira, 27 de novembro de 2009

CAETANO VELOSO VOLTA A POLEMIZAR COM O PRESIDENTE LULA

"Hoje, ninguém poder dizer nenhuma palavra que pareça ser antipática, crítica ou hostil a Lula."
O cantor e compositor Caetano Veloso voltou a polemizar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de ter comparado Lula com Obama, chamando-o de “analfabeto”, “cafona” e “grosseiro”, o artista passou a ser hostilizado por alguns segmentos petistas.
Em entrevista ao jornal O Globo, o baiano alega que apenas reafirmou o óbvio, que sempre foi usado até para enaltecer a trajetória de Lula, e reclama da posição, para ele antidemocrática, dos que rejeitam qualquer tipo de crítica à figura do presidente.
Caetano afirmou que não se incomoda com as críticas que recebeu por ter dito que Lula fala como um analfabeto. “Como se fosse uma novidade”, completou. Confira abaixo o trecho da entrevista em que o cantor comenta a repercussão das críticas ao presidente:
“Não me incomodo que um monte de gente esteja me xingando, porque eu não quero a aprovação de todo mundo. Eu acho que querer a aprovação de todo mundo é péssimo. Isso é um problema. Eu acho ruim, no Brasil hoje, ninguém poder dizer nenhuma palavra que pareça ser antipática, crítica ou hostil a Lula. Por que não pode? É muito ruim, isso. Isso é um projeto que aconteceu na União Soviética, com Stálin, na China, com Mao Tsé-Tung, acontece ainda em Cuba, com Fidel. Não se pode dizer, só se pode adular o líder. Isso para mim é o que há de pior. Nesse ponto, eu nem me incomodo de o jornal ter distorcido o que eu disse, botando, na primeira página, como se eu tivesse querido agredir o Lula e compará-lo com Marina. Eu estava comparando Marina com Lula e com Obama. Como Lula, ela é de origem humilde etc; como Obama - e diferentemente de Lula -, ela escreve bem, fala bem. Lula, de fato, usa metáforas cafonas, linguagem grosseira e erra a gramática do português, a norma culta. Todo mundo sabe que é assim. Os linguistas aplaudem, o povo acha bom, eu também acho bom, eu votei em Lula chorando, para se eleger - não para se reeleger. Eu chorei dentro da cabine. Chorei de emoção. Pode ser que eu chore quando vir esse filme, porque eu chorei vendo "2 filhos de Francisco" e possivelmente chorarei vendo "Lula, o filho do Brasil". Mas talvez não chore tanto quanto chorei no dia em que votei em Lula para presidente”.
fonte: Rádio Metrópole

FLUINDO SABORES, AMORES, APTIDÕES, AÇÕES E REAÇÕES

“O mundo é virtual. Integralmente vivo, uma imensa reserva de virtualidades onde nutrimos temores e projetos, imaginamos e desejamos...”Por João Carlos Freitas*
Neste contexto social em que presenciamos atrocidades corriqueiras, o que caracteriza nossa cultura de fato? Seria a Arte ou a Imbecilidade? Realmente é subjetivo crer no poder da inocência brasileira somada a sua trágica complexidade. Não é completamente exato, mas de fato, “ser” sem ao menos “entender” nossa paradoxal irreverência é no mínimo cruel. No entanto, somos espectadores de cenas de horror voltada a “comédia-romântica” temperada com um vasto suspense de arrancar os cabelos, já que notícias e mais notícias são despejadas sobre nossas refeições todos os dias.
O importante é não perder a consciência, apesar dos “acasos” e “descasos” de uma terra inglória. O legítmo e considerável é filtrar os inocentes mesquinhos dessa miserável condição. Como?
Talvez com o método psicodinâmico que nossa sociedade nos envolve, ou quem sabe com a emblemática filiação político-partidária de nossos caríssimos parlamentares ocupados.
Tudo bem… somos fúteis “filhos da mídia”.
Já que qualquer representatividade de arte genuinamente brasileira (esqueçam a “arte” de Delúbio e Genoino!) encontra-se em estado de decomposição, pois seus principais colaboradores, por falta de incentivo financeiro, são impactados pelos obstáculos pujantes da contemporaneidade. E, por vezes, é (in)justamente essa atual pseudo-estética sociológica e filosófica a grande mantenedora de cartas marcadas, fazendo com que grandes pensadores mantenham-se no anonimato, privando a “pura” pátria de desfrutar novas e variadas letras.
Contudo, com o livro “Poemas de Mil Compassos” (Clube de Autores), organizado por Elenilson Nascimento, esperamos e acreditamos, ainda, no conhecimento despertador da consciência individual para com a realidade iminente, fluindo sabores, amores, aptidões, ações e reações.*João Carlos Freitas é um excelente poeta de Brasília-DF, também participou da antologia “Poemas de Mil Compassos” da Coleção Literatura Clandestina/2009 e escreve também no blog Vulto.
Aproveite e leia também a entrevista que o João Carlos fez com a também poeta Andréa C Migliacci
CLIQUE AQUI.
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AQUI também o CD “Poemas de Mil Compassos Vol. 1”, com vários poemas recitados pelos artistas e muitos bônus tracks.
fotos: divulgação

MAIS UMA VERGONHA NA BAHIA: OS GRAMPOS!

“E do jeito que a coisa anda eles provavelmente já devem ter pego as minhas gravações no sexyfone nas madrugadas! Meu Deus, que meda!”
Por Elenilson Nascimento
A história de escutas telefônicas clandestinas no Brasil é espantosamente farta. Mas nunca se viu um caso de escuta ilegal como o que veio a público na Bahia no ano passado e que, agora, parece que surgiram novamente. A grampolândia clandestina, instalada em pleno aparelho estatal, atingiu nada menos que 190 linhas telefônicas e operou durante mais de cinco meses, do fim de março ao princípio de setembro do ano passado.
Fiquei sabendo através da poetisa Andréia de Oliveira que, por sua vez, ficou sabendo através da indignação do radialista da Rádio Metrópole FM (Salvador-BA), Mário Kertèsz, que citou o ocorrido e também o texto do jornalista Samuel Celestino como título “A Bahia e a sua Central de Grampos”, publicado no dia 26/11, no portal Bahia Notícias, conforme abaixo:
“Há uma central de grampos montada na Bahia, ao que se informa, a pleno vapor, escutando ligações telefônicas de diversas personalidades políticas e empresariais, profissionais liberais, além de formadores de opinião. É pena que a decência e a ética tenha dobrado a esquina deste Estado, quando se imaginava, se verdadeira for a informação, que este tempo tinha passado para dar espaço ao respeito e à cidadania. Dentre os formadores de opinião, ainda segundo as informações, constariam o meu nome e o do apresentador Mário Kertèsz. Devo dizer que, da minha parte, podem até grampear, já que voltou o insulto desavergonhado, canalha e calhorda. Que grampeiem também a mãe do guarda, a baiana da acarajé, o flanelinha das sinaleiras, o engraxate e quem serve cafezinho na Secretaria de Segurança Pública. Só não façam grampo nos telefones do governador Jaques Wagner.”
O festival de grampos já captou disputas paroquiais, articulações eleitorais e rivalidades públicas. Mas, ao contrário da esmagadora maioria das escutas incrustadas no aparelho estatal, a grampolândia baiana teve uma peculiaridade: flagrou ameaças pessoais, juras de amor, encontros românticos, e tudo movido, aparentemente, por ancestrais sentimentos humanos - a traição, o ciúme, a vingança.
Até a revista Veja (e outras do gênero) já teceu vários comentários sobre o assunto. Pro­mo­to­res e po­lí­cia dis­pu­tam di­rei­to de in­ves­ti­gar.
Ontem a noite, no Jornal da Cidade, da Rádio Metrópole, Mário Kertész leu essa nota postada acima. Ao final do texto, Kertész fez um desabafo pessoal, já que mais uma vez ele aparece entre os formadores de opinião que são alvos de escutas telefônicas ilegais na Bahia. “Nós pensávamos que a época de ACM havia passado. Mas, pelo visto hoje ele tem seguidores ainda mais duros e cruéis. A mim vocês não podem calar, não. Esse é meu direito constitucional como cidadão (...) Eu já havia denunciado isso há mais de um ano. Na época, interlocutores do Governo me ligaram para dizer que isso não era verdade, que o Estado não havia me grampeado. MENTIRA! Estou envergonhado com a Bahia! Morro de vergonha de vocês, que não sabem vencer sem golpe baixo”, lamentou.
Por fim, com a mesma ironia de sempre, ele mandou um recado a seus perseguidores: “Vocês são canalhas, calhordas e desavergonhados. Pode vim quente que eu estou fervendo. Nem venha de garfo que hoje é dia de sopa”. E nós aqui da LITERATURA CLANDESTINA assinamos em baixo. Confira o comentário de Mário Kertész:
>>> Mário Kertész fala sobre denúncia de grampos <<<
Mas a dis­cus­são so­bre os li­mi­tes do po­der de in­ves­ti­ga­ção do Mi­nis­té­rio Pú­bli­co, te­ma de um ques­ti­o­na­men­to que tra­mi­ta no Su­pre­mo Tri­bu­nal Fe­de­ral, di­vi­de opi­ni­ões. Pe­la le­gis­la­ção bra­si­lei­ra, a ins­ti­tu­i­ção é ti­tu­lar ex­clu­si­va da ação pe­nal pú­bli­ca e ca­be a ela mo­ver a ação pe­nal, to­da­via a in­ves­ti­ga­ção é de res­pon­sa­bi­li­da­de da po­lí­cia ju­di­ci­á­ria. O Mi­nis­té­rio Pú­bli­co en­ten­de que a po­lí­cia tem di­fi­cul­da­de pa­ra in­ves­ti­gar al­guns cri­mes - os cri­mes or­ga­ni­za­dos que en­vol­vem a pró­pria po­lí­cia ou pes­so­as li­ga­das aos go­ver­nos a quem a po­lí­cia es­tá su­bor­di­nada. E depois que Veja denunciou o abuso do uso de escutas telefônicas praticado pela polícia brasileira no ano passado – CLIQUE AQUI, tramitou a passos largos no Congresso o projeto de lei que pretende alterar a regulamentação sobre o grampo no Brasil. Mas parece que a coisa não mudou muita coisa! E do jeito que a coisa anda eles provavelmente já devem ter pego as minhas gravações no sexyfone nas madrugadas! Meu Deus, que meda!
foto 1: Veja; foto 2: Jornal Opção
podcast: Rádio Metrópole
fonte: Samuel Celestino/ Bahia Notícias

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

DEBATE SOBRE LITERATURA EM SP

“Será a ficção um gênero considerado economicamente viável face à dominância da fantasia juvenil ou adulta?”Por Elenilson Nascimento
Na última quarta-feira, 25/11, o meu livro “Memórias de um Herege Compulsivo” (Clube de Autores) foi assunto da pauta do debate “Com Todas as Letras e com Todos os Verbos”, organizado pela revista “Entre Livros”, Confederação de Autores Brasileiros, Sociedade Portuguesa de Autores e pela Livraria Cultura. O assunto do tema era a Ficção Moderna e a Literatura Fantástica, um tema caro à Saída de Emergência.
No debate estiveram presentes alguns autores renomados e vários novos escritores. O evento foi animado, com a participação da cantora Marina Lima, e houve oportunidade para discutir o panorama nacional da literatura, não faltando até o anúncio da parte dos organizados sobre o meu livro, que teve leitura de um dos textos e analise crítica por parte da escritora e professora de literatura Ana Maria Guanaba, além do lançamento do livro no evento.
Os participantes da mesa redonda tiveram também a oportunidade de revelar números bastante pertinentes relativos ao número de publicações de ficção no Brasil e em Portugal, número esse que tem vindo a declinar. Mas será a ficção um gênero considerado economicamente viável face à dominância da fantasia juvenil ou adulta? Se o pessimismo sobre esta questão não podia faltar na leitura da edição do debate “Com Todas as Letras e com Todos os Verbos”, também deve ser dito que a produção escrita tem vindo deixar um pouco a desejar.
Não faltou também uma abordagem ao design de capas nos livros de ficção, um tópico raramente discutido em eventos, e muito foi referida a capa do meu livro “Memórias de um Herege Compulsivo”, diretamente inspirada na mítica do anjo caído. Estas e várias outras questões foram discutidas, não faltando uma animada troca de palavras entre a sala modestamente composta e os participantes convidados. Valeu a pena, embora a ficção não deixe ainda de ser considerada como um gênero bastardo da literatura. Em breve, no final do mês de dezembro, voltarei a participar em novos debates. Mais informações em breve.fotos: divulgação

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

SUSAN BOYLE ESTÁ DE VOLTA!

“A estranha que virou moda alguns meses atrás, finalmente conseguiu a chance sonhada de fazer uma carreira profissional.”
Por Elenilson Nascimento
A cantora, revelada no programa de talentos britânico "Britain's Got Talent"CLIQUE AQUI – acabou de lançar o seu primeiro disco chamado "I Dreamed A Dream". Fiquei ouvindo ontem, depois que o Ewerton Thiago mandou pra mim pelo MSN, esse disco da estranha senhora que virou moda alguns meses atrás e que finalmente conseguiu a chance sonhada de fazer uma carreira profissional. E sabem que eu estou achando uma experiência “curiosa” ouvi-la sem vê-la.
Boyle tem uma voz cristalina, límpida, de jovem, nem por um momento faz lembrar aquela humilde inglesa gorda e deslocada de meia idade. É uma soprano muito agradável e muito competente. O disco “I Dreamed A Dream”, como não podia deixar de ser, traz a música que a consagrou no programa de televisão (justamente a que dá título ao CD e que os entendidos sabem que é o momento mais empolgante do musical “Os Miseráveis”).
No disco tem também uma versão de “You´ll See” da Madonna, aquele clássico de Julie London “Cry me a River”, mas todas as outras, ou quase, parecem hinos religiosos (que vai de “Amazing Grace” até ao natalino e lindo “Silent Night”). Ou seja, interessa um público específico, que procura uma música mais edificante, conservadora. Mas suponho que tenha sido uma escolha consciente dos editores, que esse deve ser o público dela (e possivelmente seu gosto). Apesar de ter gostado da cantora, não é exatamente o tipo de música que me agrada, mas, enfim, gostei do disco. Mas prefiro Sade cantando essas músicas. Agora, aproveite e baixe o disco:
downlod: Ewerton Thiago
foto: divulgação

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A IMPLACÁVEL DITADURA CUBANA

“Cuba reage a blogues alternativos e a mais famosa blogueira cubana diz ter sido agredida e detida pela polícia.”
Por Elenilson Nascimento
Enquanto aqui no Brasil observo com um certo ar de amargura o comportamento apático da nossa juventude cada vez mais asneada; um governo totalmente submerso em corrupção (*mesmo com os seus discursos assistencialistas, amorais e mentirosos para cegar ainda mais os míopes); as já visíveis brigas pela presidência da República orquestradas pelos supostos candidatos, com a pupila do Lula, a ministra da Casa Civil Dilma Ruself, soltando lá do alto de toda a sua prepotência uma arrogância digna de nojo; as amizades “suspeitas” do nosso presidente, com os sorrisos e apertos de mãos no patético presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, - ainda querem que eu seja otimista. Mas, mesmo que alguns achem uma contradição, vejo um bom exemplo vindo lá de Cuba.
Meses atrás, o portal Vermelho, vinculado ao PCdoB, informou que jornalistas cubanos “comprometidos com a revolução” criaram uma plataforma para hospedar seus blogues. Conforme foi reproduzido no “Vermelho”, a criação da plataforma é “para combater em igualdade de condições – ou pelo menos reduzir a desvantagem -, pois era urgente que os bloggers cubanos pudessem se defender ‘de dentro’, tirando assim a dependência de plataformas estrangeiras, auspiciadas por sabe Deus quem”.
Essa plataforma para hospedar tais blogs se chama BPC [Blogs Periodistas Cubanos] que, segundo o “Vermelho” é “gestado” no Centro de Informação para a Imprensa (CIP), certamente um órgão oficial, pois não existe imprensa independente em Cuba. Mas não resta dúvida de que é uma reação contra uma leva de blogueiros independentes e alternativos (são obrigados a se valerem de subterfúgios, e a pagarem caro, para conseguirem manter seus blogs críticos ao governo) que consegue driblar a censura cubana hospedando blogues em servidores no exterior.
Um dos mais famosos é o da Yoani Sánchez, o Generacyon Y, que já tem repercussão mundial. Cada postagem que Yoani faz, tem, em média, dois mil comentários; alguns chegam seis mil comentários, dos mais variados países do mundo. Seu blog é traduzido em 16 línguas, por voluntários, inclusive em português, japonês, chinês e lituano.
Recentemente, Yoani disse que agentes forçaram o também blogueiro Orlando Luis Pardo e ela a entrarem em um carro quando se aproximavam de uma passeata pela não violência no distrito de Vedado, em seguida disse ter sido detida por cerca de 20 minutos e agredida. Yoani afirma ter dito às pessoas que se encontravam próximas que estavam sendo sequestrados, mas os homens disseram aos transeuntes: "São contra-revolucionários, não se envolvam."
A blogueira e crítica feroz do governo cubano é constantemente ameaçada por escrever sobre a falta de liberdade de expressão em Cuba. Ganhadora do prêmio espanhol de jornalismo digital Ortega y Gasset, ela é autora do livro “De Cuba, com carinho”.Por essas e outras que, por mais que me achem negativo, concordo com um leitor da LITERATURA CLANDESTINA chamado Ricardo que escreveu: “Rezemos para que o nosso governo que engatinha numa pré-ditadura tupiniquim não caía na cilada muçulmana (...) para que jamais sejam erguidos muros de lamentações aqui na nossa pátria gentil (já temos tantos), para que as moças de pernas roliças não precisem usar burca para ir as universidades (se bem que tem muitos aqui que iam adorar isso). Não precisamos nos aliar ao mal, venha ele de que lado vier, precisamos lutar para extirpar o mal que vive em nós, precisamos combatê-lo, para que parem de morrer inocentes vitimas de balas perdidas, vitimas dos vícios, vitimas do transito. Enfim, não precisamos nos aliar a assassinos. Precisamos de paz.”. Pois é Ricardo, as vezes eu acho que escrevemos para as paredes, pois segundo o nosso presidente "intelectual assistir um operário ganhar tudo o que ele achava que iria ganhar e não ganhou por incompetência é muito difícil".
fotos: divulgação

domingo, 22 de novembro de 2009

A VISITA DO PRECONCEITUOSO AHMADINEJAD AO BRASIL

“Depois ainda querem que eu acredite que esse País é sério, mas como sou arrogante demais, elitista demais, mimado demais, mau caráter demais e, agora, medíocre demais, ainda não consegui vê a “luz vermelha do PT” no fim do túnel.”
Manifestantes carregam cartazes durante protesto contra a vinda de Ahmadinejad ao Brasil.
Por Elenilson Nascimento
Hoje fui reduzido ao patamar dos seres medíocres por alguém que eu achava gostar muito. E quem foi o culpado? O Lula paz e amor. Tudo por que encontraram num texto aqui no blog eu chamando Lula de “analfa”. Mas Caetano pode chamá-lo e todo mundo acha lindo, arrebatador e defensivo (*menos a família Veloso, é claro, que recentemente colocou as manguinhas de fora, mas eles devem ter os motivos deles). Porém, bastou eu citar uma opinião para ser também rechaçado. Será que eu tenho que ter a mesma opinião dos fãs de “Lula, O Filho do Brasil” (*que por sinal é um cu!) para ser bem quisto? Fodam-se!
Mas, como nem todo mundo é desinformando nesse País de “bagaça”, hoje, 22/11, cerca de 1,5 mil pessoas participaram na tarde deste domingo, em São Paulo, de um protesto contra a visita do patético presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil, marcada para amanhã. A manifestação ocorreu na Praça dos Arcos e reuniu diversos movimentos sociais e grupos religiosos.
Um dos organizadores do movimento divulgou que a manifestação não é contra o povo do Irã, mas um protesto contra o presidente "que nega deliberadamente o Holocausto” e o fim do estado de Israel. “Alguém que nega a história e alguém que não fala de futuro, como disse o Shimon Peres [presidente de Israel, que esteve esta semana visitando o Brasil], não agrega nada ao Brasil”, disse, ressaltando que mesmo uma relação estritamente comercial com o Irã não representaria muita coisa ao Brasil. E eu, agora reduzido a medíocre, concordo plenamente.
Outra crítica sobre essa visita de lugar algum de Ahmadinejad ao Brasil é a negação dele da existência de homossexualidade no país. O patético Ahmadinejad “institucionalizou a homofobia”, fazendo a homossexualidade ser considerada crime no Irã e punida com pena de morte (como mostra foto ao lado, de um enforcamento de um jovem casal homo).
Só mesmo um imbecil para acreditar que num país que tem mais de 70 milhões de habitantes, isso significa que ele ignora a existência de 5 a 7 milhões que são gays e lésbicas. E, além disso, exerce uma violência, uma repressão brutal contra a livre orientação sexual das pessoas. “Como chefe de Estado, Ahmadinejad tem o direito de vir ao Brasil, visitar o presidente Lula e fazer negócios. O que ele não pode é se aproveitar dessas viagens internacionais para fazer ameaças a qualquer povo”, disse o babalorixa Francisco de Osun, presidente do Instituto Afro Religioso Ilé Asé Iyá Osun, em uma entrevista à Agência Brasil.
Já para o bispo Carlos de Castro, presidente do Conselho de Pastores do Estado de São Paulo, disse que o presidente do Irã é “um déspota” e o presidente Lula, defendendo com unhas e dentes pelos agregados das bolsas assistencialistas, apesar de recebê-lo no Brasil, deveria manter uma posição marcante e de “inconformidade contra as declarações de Ahmadinejad”. E depois ainda dizem que não entendo nada de política e por isso crítico tanto o Lulinha.
Mas, já que não posso mais chamar o Lula de “analfa”, pois posso sofrer sério risco de ser chicoteado em praça pública, então chamá-lo-ei de “desinformado”.
O presidente dos “desabrigados culturais” – melhorou Bruno? – talvez não saiba nada sobre a trajetória do Ahmadinejad ou, na pior das hipóteses, nem quer se dar ao trabalho de saber, resolveu sair em defesa desse presidente “de bagaceira” e, logo depois de votar na eleição que vai definir o novo presidente do PT, na sede nacional do partido, em Brasília, no dia de hoje, Lula disse estar muito feliz por receber (*não sei porque de tanta felicidade) nomes tão influentes do Oriente Médio: o presidente de Israel, Shimon Peres, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e agora, o porra do Ahmadinejad: "Isso mostra a diversidade das relações internacionais do Brasil", afirmou Lula.
Lula ainda disse que o povo e "alguns" governantes do Oriente Médio querem a paz. "O que precisamos detectar agora é quem não quer a paz, a quem interessa que não haja paz no Oriente Médio", afirmou. Lulinha da Silva avaliou que é importante a participação de todos os países membros das Nações Unidas nos debates sobre os conflitos no Oriente Médio, defendeu empenho maior dos Estados Unidos e da União Européia para acabar com os impasses diplomáticos na região e também jogou muita purpurina nessa visita. Depois ainda querem que eu acredite que esse País é sério, mas como sou arrogante demais, elitista demais, mimado demais, mau caráter demais e, agora, medíocre demais, ainda não consegui vê a “luz vermelha do PT” no fim do túnel.
Manifestantes protestaram contra a falta de democracia em São Paulo.
Os protestos também acontecem em outras partes do mundo.
Depois ele ainda quer que a gente acredite!
O casamento perfeito.
A verdadeira face de Ahmadinejad.
>>> Leia mais sobre visita de Ahmadinejad.
fotos: AE, Reuters e divulgação

TROCANDO FIGURINHAS COM O LEO JAIME

A impressão que se tem é que a primeira condição para se viver Cazuza na ficção é se chamar Daniel. No cinema, Daniel de Oliveira interpretou brilhantemente o cantor em “Cazuza — O Tempo não Pára” (*se bem que eu achei que o filme ficou muito a desejar). Agora, o novato Daniel Granieri deu vida ao músico no especial “Por Toda a Minha Vida”, da Globo, que eu até já baixei pelo YouTube. Adorei a maneira que foi produzido o programa – CLIQUE AQUI.
Quando Cazuza morreu, em 1990, o paulista Granieri tinha apenas 12 anos, mas já curtia o som que ele fazia. Tanto que, segundo o ator, não demorou muito para se aprofundar na poesia do músico e fazer de suas canções seu lema. No programa, Daniel foi Cazuza a partir dos 15 anos.
Essa semana troquei até umas ideias com o sempre simpático Leo Jaime, pelo Twitter, sobre o especial da Globo, já que Leo também foi citado no programa.
foto: reprodução

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

ESSE PRESIDENTE LULA É UMA FIGURA!

“Assim como o filme “Che”, o filme “Lula, O Filho do Brasil” vem também deixar registrado nos anais da história a trajetória de vida desse “defensor” do povo brasileiro, mas que vai girar também em torno do folclore que paira em volta do Lula.”
Por Elenilson Nascimento
O presidente Lula esteve em Salvador para um encontro com o líder palestino Mahmoud Abbas, na Santa Casa de Misericórdia, Centro Histórico de Salvador. Lula chegou ao local por volta das 11h desta sexta-feira, 20/11, visitou as instalações da igreja e depois se reuniu a portas fechadas com Abbas. Somente por volta das 11h15, com quase duas horas de atraso, teve início o evento marcado pela assinatura de um protocolo de cooperação técnica no qual o Brasil se compromete a passar tecnologia para a Palestina.
Na saída, Lula foi recebido com ar de tietagem. Uma senhora chegou a gritar: "Lula gostoso, vamos ganhar as eleições com Dilma". Coitada, deve ser maluca! O presidente fez sinal de positivo com a mão e deixou o local sob aplausos. Estiveram no hotel, acompanhando o presidente, o ministro Geddel Vieira Lima e o governador da Bahia Jaques Wagner que, apesar de adversários políticos, sorriram o tempo todo um ao lado do outro (e para as câmeras de TVs).
E no meio dos curiosos, baba-ovos, seguranças, jornalistas, autoridades e celebridades do axé, em seu discurso, Lula reafirmou que há total interesse do Brasil em se colocar à frente das ações que busquem a paz na região da Palestina. O presidente condenou também a ampliação dos assentamentos israelenses na Cisjordânia. Logo depois do evento, Lula seguiu para um compromisso na Ford, em Camaçari, onde será anunciada a ampliação na capacidade de produção e na (*pura teoria) geração de empregos na fábrica. À tarde, o presidente participou da caminhada do “Dia da Consciência Negra” e retornou à Brasília às 20h.
No filme, Lula (interpretado por Rui Ricardo Diaz) casa com Cléo Pires e a engravida, ser operário assim é muito bom...
Porém, ontem, 19/11, os familiares de Lula defenderam o tão comentado filme sobre o presidente (patrocinado pelo governo) em Recife. Depois do tumulto da primeira exibição em Brasília, nesta semana, o filme “Lula – O Filho do Brasil” teve uma sessão tranquila e sem grandes emoções na sua segunda pré-estreia, na noite desta quinta, no belo Teatro Guararapes, em Recife.
A grande frustração foi a ausência do presidente, que estava se preparando para ir para Salvador, o que chegou a ser anunciado pela produção do evento anteriormente. A justificativa nos bastidores (não oficilizada), foi que o presidente acha que a sua presença poderia aumentar ainda mais a acusação do caráter eleitoreiro do qual o filme tem sido alvo de críticas, mesmo antes de ser visto. Tanto que coube um dos principais convidados da noite, Frei Chico, irmão de Lula, sair em defesa do filme, pouco antes da sua exibição:“Esse filme é, na verdade, a história de milhões de brasileiros. A mídia que tenta politizar o filme, mas isso faz parte do processo democrático que Lula tanto lutou para ver no país”, disse o irmão mais velho do presidente. Além do Frei Chico, as irmãs Marinete e Ruth (conhecida como Tiana) e o irmão Jaime também estiveram presentes na sessão.
No filme e na vida real, a foto de Lula sendo fichado pelo Departamento de Ordem Pública e Social, o famigerado DOPS. A vantagem da ficção é essa, no filme Lula tem quase 1,90m de altura.
Talvez por receio de repetir o ocorrido em Brasília, quando sua exibição no festival de cinema da cidade teve superlotação, sobraram lugares no Teatro, com um número razoável de lugares vazios. A expectativa é que Lula esteja presente na próxima pré-estreia do filme, em São Bernardo (São Paulo), no dia 28/11. Segundo o diretor, Fábio Barreto, o presidente chegou a solicitar uma cópia do filme para assistir, mas a produção não entregou alegando receio com a pirataria.
A crítica, como todo mundo já sabia, anda metendo o pau no filme. Até agora não li nada de favorável à obra. Assim como o filme “Che” que conta a história de Che Guevara, um dos grandes “defensores” do povo da América Latina, e que eu achei que o filme não passou de um manifesto em tributo à memória do herói, mas pecou em não citar o lado obscura do personagem, o filme “Lula, O Filho do Brasil” vem também deixar registrado nos anais da história a trajetória de vida desse “defensor” do povo brasileiro, especialmente da classe operária, mas que vai girar também em torno do folclore que paira em volta do Lula. O povo brasileiro irá, sem dúvida, identificar-se com a vida desse homem que hoje dirige os rumos do nosso Brasil, mas também pode ser muito perigoso em só querer mostrar o lado positivo do mito.
Com uma produção de R$ 12 milhões, considerado o filme mais caro da história do cinema brasileiro, acho que foi muito precipitado os produtores terem feito esse filme agora, em vésperas de eleições, em plena crise econômica, com um Brasil miseravelmente estuprado, apesar das propagandas do governo dizerem o contrário. Quanto a mim, não vou assistir esse filme, pelo menos agora.
O até então desconhecido ator Rui Ricardo Diaz protagonizou a cinebiografia (financiada pelo próprio governo) do Lula.
A atriz Cléo Pires interpreta a primeira mulher de Lula. Globo e você, tudo a ver! Fora esse poster do filme que mais parece que o Lula é a Glória Pires.
Dona Marisa e a atriz Juliana Baroni. Não são idênticas? Coisas do cinema brasileiro.
Elenco do filme reunido para tirar fotos: Milhem Cortaz, Juliana Baroni, a de preto que não consegui identificar, Rui Ricardo Diaz, Cléo Pires Glória Pires e opai da Camila, o sempre simpático Antonio Pitanga.
A noite ainda teve protesto de ativistas de direitos humanos .
Durante as filmagens a placa foi retirada da entrada da cidade, o prefeito ameaça colocá-la de novo, pois cancelaram o lançamento do filme na cidade, por falta de cinema.

E nessa passagem rápida por Salvador, Lula deu uma entrevista bem engraçada na manhã desta sexta-feira, 20/11, ao radialista e dono da Rádio Metrópole, Mário Kertész (foto ao lado), onde disse que não vai se aposentar da política após o fim do seu segundo mandato e, no entanto, ainda não se decidiu se vai participar de algum organismo mundial. "Eu sou um homem sem muitas pretensões futuras. Acho que Deus já foi muito generoso comigo. É visível que o Brasil está melhorando e que temos muitos problemas também e que 2010 o ano será maravilhoso. Quero apenas contribuir com a eleição de um candidato". Lula também falou que faz questão que todos saibam que vai apoiar a candidata Dilma Rousseff (ministra da Casa Civil), porque ela teria competência e uma história de compromisso com as políticas que o governo vem implementando e que "está devolvendo aos cidadãos o orgulho de serem brasileiros".
Em relação a sucessão estadual, o presidente lamentou o rompimento entre o PT e o PMDB na Bahia. Ele disse que apesar da sua insatisfação, percebe que tanto o governador do Estado,
Jaques Wagner, quanto o ministro Geddel Vieira Lima, estão tranquilos para as eleições de 2010. "Espero apenas que a campanha seja de alto nível e que a Bahia mude de patamar na política brasileira durante o processo de disputa eleitoral". Durante a entrevista o presidente também falou sobre a superação da crise econômica, decisão sobre o caso Cesare Battisti, e polêmica com o compositor Caetano Veloso. Confira tudo isso no podcast abaixo. Vale muito a pena baixá-lo:
Caro leitor, queremos também o seu comentário. Você pretende assistir ao filme? Por quê? Na sua opinião, filme afetará o quadro eleitoral em 2010? Lula o Filho do Brasil será incorporado à campanha da candidata governista?
podcast: Rádio Metrópole
fotos do lançamento do filme: Agencia Brasil

A LIBERDADE AINDA É NEGRA?

"A minha pele de ébano é... A minha alma nua... Espalhando a luz do sol... Espelhando a luz da lua..." (Lazzo, nos bons tempos)
Para comemorar o 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, o fotógrafo Fernando Vivas registrou cenas cotidianas do bairro da Liberdade, em Salvador, considerado o bairro mais negro da Bahia e do Brasil. Confira algumas fotos abaixo:
fonte: Revista Muito

UM BELO TRIBUTO A CAZUZA

“Se você quer saber como eu me sinto/Vá a um laboratório ou um labirinto/Seja atropelado por esse trem da morte/Vá ver as cobaias de Deus/Andando na rua pedindo perdão/Vá a uma igreja qualquer/Pois lá se desfazem em sermão” (Cazuza)Por Elenilson Nascimento
A Globo demora pra c. para fazer um programa bacana, mas quando toma vergonha na cara e põe a mão na massa, acerta em uma taca só. Eu mesmo não aguento mais os gritos de terror da “noiva cadáver aleijada” Aline “Luciana” Morais na novela das oito que agora começa dez. Nem a cara de sofredora da Tais “Helena” Araújo com os seus litros de lágrimas falsas. Mas, deixemos essa programação de quinta pra lá, pois, depois de um tempão sem dá o ar da graça, a volta do especial “Por toda minha vida” trouxe a vida de Cazuza que me deixou aqui todo emocionado e, dessa vez, o romance do “maior abandonado” com o cantor Ney Matogrosso não foi deixado de lado pelos politicamente corretos, como aconteceu no caso do filme “O tempo não pára” de Sandra Werneck e Walter Carvalho, no qual se quer foi citado.
Cazuza poderia ter sido apenas mais um entre inúmeros aspirantes ao sucesso, filho da classe média carioca, que se apresentava no espaço mais democrático da época, no caso, o Circo Voado. No entanto, ele não ficaria muito tempo na tribo dos talentos promissores. Instável e desafiador, mas também extremamente sedutor, ele vivia sua confortável vida de garoto da Zona Sul sob a cerrada vigilância da mãe. Mas o artista queria mais – na verdade, queria muito mais. Ele queria tudo, ao mesmo tempo, em um agora permanente.
“Por toda minha vida” já estava fazendo falta, sempre muito bem produzido com um texto pra lá de interessante e envolvente mostrando façanhas e curiosidades dos famosos que já partiram com uma levada jornalística que deixa o programa ainda mais fascinante, independente de você gostar ou não do artista da vez. E no programa que acabou agora a pouco, foi mostrado a trajetória de Cazuza, seus amores, devaneios, medos, frustrações, as relações afetivas, as novas experiências, o amor pelo perigo, a criação artística e, por fim, a doença que o vitimou.
O programa mostrou também o encontro com os BarõesFrejat, o baixista , o baterista Guto Gofi, o tecladista Maurício - músicos de pouca idade, mas a procura de um bom e novo som, que foi a primeira etapa de vitoriosa e curta carreira de letrista de Cazuza.
E para atenuar a intensificação de conflitos familiares, CAzuza foi intimado a trabalhar com o pai, diretor de uma gravadora, onde conhece Zeca, produtor musical experiente, que se transforma em uma espécie de guru que lhe apresenta novos autores e poetas. A falta de regras se incluía na seleção de repertório, e ele surpreendeu, por exemplo, ao cantar “As rosas não falam”, de Cartola, uma opção inesperada para um roqueiro.
Mas o diagnóstico de que era portador do vírus HIV foi recebido pelo jovem artista com desespero, seguido da busca de novas formas de tratamento para uma doença que na época representava uma sentença de morte a curtíssimo prazo. E no curto futuro duvidoso que viveu, Cazuza nunca mentiu para si mesmo ou para as pessoas que amava.
E no programa “Por toda minha vida” de hoje, 19/11, os telespectadores puderam relembrar, ou conhecer, a marcante trajetória de Cazuza, representado pelo excelente ator Daniel Granieri (foto acima). O episódio trouxe também imagens de arquivos e depoimentos de amigos, familiares e profissionais que acompanharam de perto a carreira de Cazuza, entre eles o Pedro Bial, Ney Matogrosso, Sandra de Sá, Bebel Gilberto, Frejat, Ezequiel Neves e seus pais, Lucinha e João Araújo. Foi um programa emocionante e eu aqui ainda emocionado. Cazuza morreu em 1990 aos 32 anos.fotos: divulgação

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

AULAS DE INTOLERÂNCIA E COVARDIA

"Cabe a pergunta: pelo que se viu na prática, o que estarão os alunos da Uniban aprendendo de teoria nas salas de aula? Qual será a formação moral e acadêmica desses alunos? Se é permissível o fanatismo coletivo, tal e qual o de bando de arruaceiros, desrespeitando princípios básicos de civilidade nas dependências da universidade, como vêm sendo preparados esses jovens?"
Por Carlos José Marques*
Pelo que carrega de surreal e inadmissível, o episódio que culminou com a expulsão e posterior readmissão da estudante Geisy Arruda pela Universidade Bandeirante (Uniban), de São Paulo, desfralda para o País os perigos do irracional coletivo e os limites do despreparo de algumas instituições de ensino. O misto de preconceito com a falta de habilidade tomou conta daquela universidade e acabou por incitar comportamentos retrógrados, quase bárbaros, de violência aberta contra a estudante.
Geisy foi xingada, perseguida, ameaçada, encurralada, humilhada e quase linchada nas dependências da escola por conta de um vestido curto, sob o beneplácito de seguranças impassíveis que assistiam a tudo de braços cruzados. Ato contínuo, a Uniban – cuja missão primordial deveria ser, acima de tudo, ensinar lições de cidadania – passou à execração pública da estudante. Estampou em páginas de jornais um surpreendente comunicado da expulsão de Geisy, convertendo a vítima em ré, num constrangimento tão imoral como ilegal. Fez uma espécie de julgamento sumário, em clara afronta ao direito de defesa. Voltou depois atrás, pressionada por um amplo leque de entidades como o MEC, ONGs de defesa dos direitos da mulher, OAB, ABI, UNE, Congresso e por protestos de uma sociedade civil indignada que queria respostas ao ato de covardia.
Entre idas e vindas, a Uniban deu demonstrações da tibieza de seus atos, pautados, ao que parece, por instintos muito mais de natureza mercantilista – como o do temor da fuga de matrículas. Representantes da universidade hesitaram em entrevistas. Buscaram justificar o injustificável, num ranço de moralismo hipócrita com prepotência e equívocos de gestão de toda ordem. Chegaram a apontar que a reação dos estudantes foi uma “defesa do ambiente escolar” e que Geisy mostrava “atitudes provocativas”, argumento que remete à intolerável ideia, defendida por marginais, de que até o estupro tem suas razões de ser, dadas as circunstâncias e supostas insinuações da vítima.
Cabe a pergunta: pelo que se viu na prática, o que estarão os alunos da Uniban aprendendo de teoria nas salas de aula? Qual será a formação moral e acadêmica desses alunos? Se é permissível o fanatismo coletivo, tal e qual o de bando de arruaceiros, desrespeitando princípios básicos de civilidade nas dependências da universidade, como vêm sendo preparados esses jovens? Ao fazer o impensável, ao referendar a caçada irracional de Geisy e ao puni-la num primeiro momento com a expulsão, a Uniban – movida sabe-se lá por algum puritanismo descabido – desconsiderou premissas básicas como a de zelar pela educação e pela segurança dos estudantes, cujos pais pagam regiamente, imaginando dar o melhor aprendizado aos seus filhos.
Policiais tiveram de ser chamados de fora para fazer a proteção que Geisy não encontrou lá dentro. Em todo o seu espectro, o episódio constituiu-se num marco de retrocesso que deve ser prontamente rechaçado pela sociedade e condenado pelos organismos competentes – não deve jamais se esgotar na mera readmissão de Geysa.>>> Isso tudo é a comprovação do quanto a nossa sociedade está intolerante, pois não é só aqui na LITERATURA CLANDESTINA que sofremos (*se bem que essa não é a palavra certa) por causa das opiniões de pseudo-celebridades de internet que se acham acima do bem e do mal ao ponto de criar celeumas e factoídes aqui na rede por qualquer motivo com o único interesse de ter audiência. Ao expulsar Geisy Arruda, a Uniban execrou publicamente a aluna e endossou a violência na universidade. Quando revogou a decisão, mostrou que está mais interessada em defender os seus cofres do que em cumprir a missão de educar. Leia AQUI a excelente matéria de capa da “Isto É” dessa semana, assinada por Solange Azevedo e Rodrigo Cardoso.
*Carlos José Marques é diretor editorial da revista Isto É.
fonte: Isto É
fotos: divulgação

terça-feira, 17 de novembro de 2009

CLUBE DOS AUTORES DÁ DESTAQUE A ENTREVISTA DE ELENILSON

O Clube dos Autores deu destaque – CLIQUE AQUI – a minha entrevista exclusiva para a revista zaP! No dia 31 de outubro, o autor Elenilson Nascimento foi entrevistado pela revista zaP! Em um bate-papo instigante, ele contou sobre o seu processo criativo, as suas obras e as suas visões de mundo.
Revista zaP!- Na sua opinião, o dom também pode ser construído? – Como?
Elenilson Nascimento- "Escrever é um vício, menos cansativo que o sexo e solitário, aliás, totalmente solitário. Pode-se dizer que a escrita é uma construção social, pois sempre precisamos do outro para começar e continuar escrevendo. Mas é um ato, muitas vezes, mórbido. Um fator determinante do nosso grau de familiaridade com o tal “dom escrita” seria a forma que aprendemos a escrever, que valor o texto escrito tem para nós e para a esfera social em que circulamos, a intensidade de leituras que fizemos ao longo da vida e a frequência com que produzimos textos. Um bom exemplo: eu sou muito mais lido nos blogs que eu participo, em especial no Literatura Clandestina, do que nos meus livros. Sendo assim, esses detalhes funcionam como uma fórmula para os que desejam amadurecer a escrita e melhorar o desempenho em relação aos textos produzidos: escreva independente da quantidade de leitores!"
Revista zaP!- Como e por que a literatura pode contribuir para esse aprendizado?
Elenilson Nascimento- "Cada país, cada povo, tem os representantes que merece. Uma das coisas mais comuns de ouvirmos do senso comum em relação ao universo político, educacional e artístico brasileiro é a máxima de que aqui só há corruptos. A frase é ilustrativa do quanto o brasileiro exime-se quando se trata de assumir as responsabilidades pelas mazelas nacionais, pela educação ruim e pela cultura de quinta que produzimos. Falamos como se Brasil, em especial o Distrito Federal, fosse uma terra maligna fértil de onde brotam espontaneamente políticos nada dignos e sempre dispostos a corromperem e serem corrompidos. Ora, o que há de bom e de ruim aqui no Brasil é nada menos que o produto da exportação de todos os estados do país, de todos os eleitores brasileiros. Brasília, por exemplo, tem o que nós, como cidadãos e eleitores, enviamos das urnas para lá. Eu acredito que os artistas brasileiros – formadores de opinião – se dobraram a ditadura do "politicamente correto". Eles se omitem diante das crises desse governo do "nada sei" que ajudaram a eleger, além de que, o senhor Presidente, só não sofreu um impeachment até agora por incompetência da oposição. Os "formadores de opinião" costumam agir em bando. Eles só querem sempre ser bonzinhos, de esquerda, do bem – e, muitas vezes, nem refletem sobre o que estão dizendo. O nosso meio literário é cheio de acadêmicos e estrelinhas metrosexuais, ou seja, tudo isso é deprimente. É muito mais interessante você consumir leitura de blogs espalhados na rede do que só comprar livros de listinhas produzidas por revistas semanais. É preciso com urgência promover amplamente, desde a primeira infância, a leitura de livros de literatura, criando as condições necessárias para o contato contínuo do público infantil e juvenil com o universo literário. É possível sim transformar o Brasil em um país de leitores. O que entendemos por um país de leitores e o que esperamos dele. O problema é como fazer para que as ações existentes de promoção da leitura possam convergir para uma atuação conjunta na construção de um país leitor? Já foi provado que oficinas literárias são necessárias para agregar técnica ao talento de um escritor. Essa troca de experiências é essencial para a formação de qualquer aspirante a literato. Mas a mídia reduz a nossa literatura em segmentos de mercado. O leitor deixa de existir em detrimento da lógica do consumo. O grande drama do jornalismo literário e da própria literatura no Brasil é que jamais se tentou criar um mercado de leitores no país. Daí a pergunta: para quem se dirige os livros produzidos? País com baixa densidade de leitores, o mundo literário não passa de uma ficção, de terreno para viagens egocêntricas."
fonte: Clube dos Autores